[ breviário de decomposição ]

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Ara Starck. L'équilibriste, 116,5x78,5 cm, technique mixte, 2008 ©Artegalore.

Quem espera sempre, espera sempre em vão,
Porque quem espera sempre espera o bem.
E o bem vive em nosso coração:
Ou já o temos, ou elle nunca vem.

Quem ama, ou ama-se, e terá o que tem,
ou ama outro, e ama a illusão
Que, quando a toque, será voragem (?) alguem,
E nunca o bem que é venda e confusão.

Onde puz a ventura, não a vi,
onde puz o desejo, floriu pranto
e só quem fui ou que fugi ser colhi.
Hoje não espero nem o muito encanto
De haver esperado, quero o fim (?)

ideas for poems, fernando pessoa (1888 - 1935)

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