sábado, 22 de novembro de 2008
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
a multiplicação dos nossos "eus"
Le Double Secret, 1927, Musée National d’Art Moderne, de René Magritte (21.11.1898 - 15.08.1967)
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segunda-feira, 21 de abril de 2008

Pintura para Peixes (2008), de Rodrigo Andrade, exposto em São Paulo. Foto: Divulgação.
a vida e o mundo se apresentam assim, limitados a uma esfera ôca. as paredes de vidro dão mostras de um universo externo translúcido, reluzente, tentador, cheio de armadilhas... mas inalcançável diante do claustro. ainda bem que respiro sob a água.#
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sábado, 29 de setembro de 2007
domingo, 1 de julho de 2007
Uma espantosa solidão
Nan and Brian in Bed, NY, 1983, fotografia de Nan Goldin. Mais, aqui.
A bruxa
A Emil Farhat
Nesta cidade do Rio,
de dois milhões de habitantes,
estou sozinho no quarto,
estou sozinho na América.
Estarei mesmo sozinho?
Ainda há pouco um ruído
anunciou vida ao meu lado.
Certo não é vida humana,
mas é vida. E sinto a bruxa
presa na zona de luz.
De dois milhões de habitantes!
E nem precisava tanto...
Precisava de um amigo,
desses calados, distantes,
que lêem verso de Horácio
mas secretamente influem
na vida, no amor, na carne.
Estou só, não tenho amigo,
e a essa hora tardia
como procurar amigo?
E nem precisava tanto.
Precisava de mulher
que entrasse neste minuto,
recebesse este carinho,
salvasse do aniquilamento
um minuto e um carinho loucos
que tenho para oferecer.
Em dois milhões de habitantes,
quantas mulheres prováveis
interrogam-se no espelho
medindo o tempo perdido
até que venha a manhã
trazer leite, jornal e clama.
Porém a essa hora vazia
como descobrir mulher?
Esta cidade do Rio!
Tenho tanta palavra meiga,
conheço vozes de bichos,
sei os beijos mais violentos,
viajei, briguei, aprendi.
Estou cercado de olhos,
de mãos, afetos, procuras.
Mas se tento comunicar-me
o que há é apenas a noite
e uma espantosa solidão.
Companheiros, escutai-me!
Essa presença agitada
querendo romper a noite
não é simplesmente a bruxa.
É antes a confidência
exalando-se de um homem.
Carlos Drummond de Andrade (1902 - 1987).
quarta-feira, 6 de junho de 2007
Uma janela para o mundo

Window, fotografia de Nan Goldin. Mais, aqui.
. "Espero. Um tempo sem tempo sem hora só mistério de quando vai chegar. Espero e na espera a saudade é mero detalhe os portões esgarçados as vestes puídas a pele espessada. Espero em Laguz, o feliz no final, como todo o desfecho que se preze. E ser assim é ser é calmaria depois e dentro e antes da tormenta. É desimportar da tempestade. É oferenda de quem já entregou da vida um tudo e hoje é: Espera. Porque a vontade é um cais vazio, enquanto a nau não aporta. Provisório, como a paixão o tempo a felicidade a verdade. Porque a vida sem chances é uma vida morta. E somos muito vivos. Espero. Porque de nada adiantam as fugas as ladainhas as hipocrisias as perversões que jamais se demoraram eternamente. Que jamais te deram um ínfimo do que sei que queres. Espero porque toda mentira é vil, e sendo assim, a luz chega e fica. Um dia. Quando não mais será preciso: A espera."#
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